
Tecnologia possibilitará um abastecimento mais rápido visando aumento da aceitação dos elétricos no mercado.
Um dos empecilhos na adoção em massa de carros elétricos é o tempo de recarga da bateria. Esse desafio sempre está entre os difíceis de superar e, agora, ocorre uma pequena evolução.
A suíço-sueca ABB, focada em energia e automação, anunciou um novo supercarregador batizado de Terra 360. Pode atender quatro veículos simultaneamente com potência constante de 360 kW, diminuindo filas de espera.
Significa 100 km de alcance a cada três minutos de recarga e até quinze minutos para completar a operação, dependendo do nível da bateria.
O supercarregador chega em países da Europa no fim deste ano e no resto do mundo em 2022. A empresa não revelou os custos do equipamento e de instalação que costumam ser altos.
Os quinze minutos ainda parecem muito frente a quatro ou cinco minutos para abastecer 50 litros de um tanque de carro comum. Não se sabe quando se alcançará a equivalência de tempo, futuramente.
O novo equipamento não foi projetado para uso doméstico. Outras ressalvas: a fim de preservar a vida útil das atuais baterias de íons de lítio o ideal é recarregar entre 20% e 80%; tempo de recarga proporcionalmente bem maior entre 80% e 100% do que entre 0% e 80%; condições climáticas de muito frio ou muito calor influenciam.
Os custos de reciclagem em massa ainda estão por definir. Também se desconhece quanto os preços de lítio, cobalto e cobre subirão com o aumento de demanda por baterias.
Embora existam previsões de diminuição de custos dos veículos elétricos (VE), um estudo recente da Jato Dynamics revelou que nos últimos 10 anos o tíquete médio de venda subiu 28%, na União Europeia e 38%, nos EUA.
Na China, ao contrário, os VE ficaram 47% mais baratos no mesmo período em razão de estímulos governamentais e a proliferação de modelos subcompactos, mais em conta, para uso urbano.
Como baterias acrescentam de 400 kg a 600 kg à massa de um carro, ainda não está claro o impacto sobre a durabilidade de pneus e elementos de suspensão, apesar de gastos com pastilhas e discos de freio bem menores.
O chamado custo total de propriedade ainda está sujeito ao futuro preço da eletricidade que, na verdade, ninguém sabe quanto será.
Outra dúvida é o modo dos governos transferirem os impostos sobre combustíveis líquidos que geram valores elevadíssimos, principalmente na Europa.
Algumas cidades nos EUA criaram taxas simbólicas de manutenção de rodovias sobre carros elétricos a fim de compensar parte da arrecadação perdida com a gasolina. Desconsiderar essa realidade parece pouco prudente, pois a conta vai chegar.
Enquanto isso, novos investimentos continuam a ser anunciados e prazos otimistas revelados por grandes grupos automobilísticos em resposta, principalmente, ao posicionamento de países europeus.
Nos EUA, a Ford revelou semana passada que investirá US$ 11 bilhões (R$ 60 bilhões) em duas fábricas, de baterias e picapes, embora o governo americano não tenha estabelecido metas.
O ex-presidente da GM América do Sul, Carlos Zarlenga, estimou em até 60% a participação de elétricos e híbridos plugáveis nas vendas totais, em 2030, na Europa, China e EUA. Para América do Sul entre 15% e 25%, ficando o Brasil mais perto do primeiro porcentual por sua extensão territorial.
